OcupAções: o chamado que pretende parar o Brasil
- 9 de nov. de 2016
- 3 min de leitura

Mídia Ninja
Que o Brasil necessita de medidas sobre questões de tributação, gastos públicos, políticas públicas não há dúvidas mas a Proposta de Emenda Constitucional do presidente interino Michel Temer é uma afronta aos direitos sociais conquistados.
Segundo a Consultoria do Senado, a PEC 241 atual PEC 55 é dotada de inconstitucionalidades e atinge serviços públicos essenciais como saúde e educação ao congelar os gastos públicos por 20 anos.
As políticas de Temer têm causado revoltas por todo o país, já são aproximadamente 1.116 instituições ocupadas, distribuídas em 1.022 escolas e institutos federais, além de 178 universidades, sendo esses números passíveis de correção. O movimento cresceu rapidamente e possui como reivindicação além da oposição a PEC 55, também se opõe a Medida Provisória 746 que altera a estrutura do Ensino Médio e o programa “Escola Sem Partido”, um tripé que visa sucatear o ensino público, atingindo as classes sociais menos favorecidas e eliminando todas as formas de pensamento crítico.
Pensando nos direitos e deveres desses jovens que estão ocupando as escolas, a Defensoria Pública da União (DPU) disponibilizou ontem como material de apoio a cartilha Garantia de Direitos em Ocupações e Instituições de Ensino, na intenção de estimular e orientá-los acerca de toda movimentação.
Medidas drásticas necessitam de reações drásticas. É verdade que as ocupações podem causar dissabores, por motivos que envolvem questões financeira e social de estudantes que necessitam de seus diplomas mas a questão é que eventualmente devemos abdicar de algo imediatista para pensar no futuro. E é exatamente esse o motivo das ocupações: uma forma de manifestação, de repúdio a essas violações aos direitos fundamentais que comprometerão várias gerações.
Mídia Sem Máscara

Para aqueles que não compreendem a importância desse ato político acabam tratando os alunos que promovem as ocupações de “vagabundos”, “doutrinados”. Não é de se espantar que, numa sociedade cada vez mais individualista, os que pensam apenas em si disseminem esse discurso de ódio. Discurso este capaz de causar grande tristeza.
A desobediência civil causa borbulho àqueles que estão acomodados a aceitarem aquilo que acreditam não lhes atingir, percebido no discurso que visa apenas os próprios interesses, a minoria, que detêm ação política e visão coletiva dos fenômenos, não conseguem um debate mais aprofundado com os que visam os interesses imediatistas.
Devemos portanto tirar alguns minutos da correria do dia a dia para refletirmos sobre o que está acontecendo. Analisar ambos os lados é necessário para não cairmos no discurso pronto e na disseminação do ódio gratuito.
UFMS na somatória com o Brasil
O campus II da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) de Três Lagoas, na madrugada de terça-feira (02/11) se juntou a luta contra este "desprojeto", e na madrugada de domingo (06/11) foi a vez do campus I ser ocupado para fortalecimento do movimento.
Em uma assembleia realizada por acadêmicos e professores dos cursos residentes do campus I (Letras e Pedagogia) na última segunda-feira, a decisão de apoiar a ocupação foi unânime até a próxima votação da PEC 55 que está prevista para ocorrer no dia (29/11), após isso será marcado outra assembleia para definir como irá proceder a continuidade do movimento.
A todo momento debates estão sendo promovidos por alunos e professores da instituição, o movimento está mais engajado do que nunca a resistir mesmo com as represálias de um número significativo de estudantes. Aqueles que tiverem a oportunidade de conhecer algumas das ocupações façam uma visita, a bolha que nos cercam vai além do sistema que a todo momento tenta nos limitar. Confira tudo que acontece no OCUPA UFMS.

Foto: Marcelo Jaboo
















Comentários